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O anticristo

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TEXTO SOBRE ANTIDEPRESSIVOS E TRANSTORNOS.

Sobre Falar Merda, de Harry G. Frankfurt.

Resumo:

Sobre falar merda apresenta uma aproximação na busca de significado da prática cotidiana em nossa cultura de falar merda. Visto por Frankfurt não existir uma teoria específica para o ato.

Em sua obra propõe a essência do falar merda , finalizando com a resposta possível para as pessoas falarem tanta merda.

Uma tentativa de não falar merda.

Uma das marcas mais visíveis de nossa cultura é que se fale tanta merda. Sobre Falar Merda é o que Harry G. Frankfurt busca em seu livro. Na intenção de um possível significado sobre a merda falada rotineiramente, sem cair também no pecado e falar ao mesmo tempo merda.

Falar merda é uma prática cotidiana, a pergunta que manifesta o autor, é que objetivo impulsiona o ser para que este artifício prolifere na sociedade.

No desenvolvimento coerente do livro o autor explora algumas aproximações no conceito de falar merda. A falação, a mentira, o blefe.  Mais próximo do blefe, por envolver tapeação, e não tão próximo da mentira. O falar merda apesar da falta de preocupação com a verdade, não é necessariamente um afirmação falsa. A falação aproxima-se do conceito de falar merda, pela característica da  falta de exatidão com a verdade, e seu vazio sem substãncia. No entanto distancia-se pelo fato das afirmações pronunciadas numa falação não exigirem pretensão de ser mantidas. O exemplo deste último pode-se observar um grupo que promove falação sobre desempenho de seu time de futebol preferido. Manifestam idéias e atitudes, não necessariamente revelando suas crenças ou sentimentos profundos. Apenas alfinetando os demais de maneira plástica para descobrir reação dos outros, e estabelecer a relação.

É notável a originalidade de Frankfurt ao expor a merda, e não impostura, expelida em momentos da comunicação. Não permite inclinar-se a vulgaridade que possa remeter a expressão. Trata-se de um fenômeno lingüístico. Leva análise da falta de preocupação das pessoas na estrutura do discurso , não pela sua composição gramatical, mas exclusão de detalhes em fatos pertinentes. Ter em mente que se fala merda requer atenção e disciplina, um esforço interior, sugere o autor.

No avançar das palavras, o leitor coloca sua expressão em auto-análise, na busca de indícios de um falador de merda. Cada indivíduo faz sua parte no que diz respeito ao assunto. Portanto o autor adquire profundidade e abrangência a todos que fazem uso da linguagem, escrita ou oral, na arena das relações humanas. Claro, aqueles que primeiramente identificam o problema.

Na arena da propaganda, meio de informação e principalmente na política, pode ver muito do falar merda. Engloba muitas vezes não só a mentira, como diz a grande massa, pois alguns não têm a mínima idéia de buscar ou conhecer a verdade. Logo não mentem, falam merda, para conquistar coisas. O caminho por este artifício proporciona mais liberdade a quem fala. Não necessita todo rigor, toda estrutura quando se argumenta na busca da realidade. Além do excremento quando expelido  ganhar misteriosamente  um afeto se comparado a mentira. Essa última quando disparada representa um ofensa pessoal, uma afronta, o que desagrada as pessoas, que revelam preferir a tapeação.

O ato de falar merda, alerta Frankfurt, é pior que a mentira. Visto anteriormente que as pessoas são mais relevantes para esta prática. No entanto o autor argumenta perfeitamente esclarecendo. Até mesmo quem prática a mentira tem sua glória por conhecer a verdade, sua soberania, e em contradição, negar. Mas no falar merda o orador não pretende de forma alguma ir a fundo aos fatos. Não posiciona sua fala de lado algum, com se algo tivesse dois lados, a verdade e a mentira. Ignora a autoridade da verdade para assim contradizer.

Enfim, a resposta da questão de Harry G. Frankfurt, finalizando corretamente sua hipótese, porque se fala tanta merda. Na atual estrutura da sociedade, individualista, competitiva e democrática as pessoas são diariamente bombardeadas com situações inusitadas. O todo deve posicionar-se sobre questões que o envolvem. Normalmente reside na arena de discurso a total falta de conhecimento do fato em questão.  Ocorre a  desprovida vontade da busca pelo verdadeiro. Assume a tapeação objetivando destaque, aproxima-se da mentira e acaba falando merda.

Conclusão:

Primeiramente o titulo chama atenção desperta interesse, afinal o que é falar merda? A estrutura gramatical com prenunciada perfeição na obra. Envolve o leitor do inicio ao fim, sustenta nobreza em sua escrita sem degradar a linguagem. Inversamente do titulo, o autor não fala merda, aponta um fenômeno que abrange todos que falam sem devido conhecimento em alguns casos. Que projetam uma falsa atenção ao fato pertinente, ou ainda para emplacar imagem de pseudointelectual, recorre a falar merda.

Ocorre fato interessante quando vamos percorrendo os caminhos do livro. Passa a despertar uma auto-análise. O tema cruza muitas vezes pelo nosso cotidiano. Mas pela total descrença de possibilidades objetivas nunca fora dado atenção. Antigamente chamávamos esta prática de encher lingüiça, reformulado por Frankfurt, percebe-se que a lingüiça contém em si miúdos, carne e gordura, logo nutrientes. Desmerecendo o uso desta, substituída por excremento, merda, que não traz absolutamente nenhum nutriente, nenhuma riqueza.  Chega então à profundidade do autor, ao provocar este conjunto de pensamentos e revisões. Talvez seu objetivo fosse à observação e correção do vício de falar tanta merda. Digo tanta, pois não falar diariamente uma merda ou outra, quase silencia nossa comunicação. É complexo em alguns casos não pecar. Até mesmo em uma resenha como esta, ao extrair objetivamente as idéias tão bem desenvolvidas por escritor, é inevitável escorregar e não falar merda.

Um pensamento sobre “Sobre Falar Merda, de Harry G. Frankfurt.

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