Um pouco do velho Nietzsche

3- A crítica de Nietzsche à filosofia e à moral ocidentais. O pensamento de Nietzsche toma a moral como contraponto, ou seja, a moral cristã mesma. Neste sentido, volve seu olhar para trás para apontar como toda uma cultura foi construída, erigida a partir da filosofia socrático-platônica que tem uma continuidade com o advento do cristianismo. Neste terreno, Sócrates inaugura o período antropológico da filosofia grega, assumindo que o conhecimento do homem é condição para o conhecimento em geral. Daí a máxima “conhece-te a ti mesmo”. . O mundo do além, o mundo de Deus converte-se no verdadeiro mundo e este passa a ser compreendido como provisório e não verdadeiro. Nietzsche se volta e reflete sobre o passado ocidental apontando que o homem se teria perdido, uma vez determinado pela herança da Antigüidade e por dois milênios de cristianismo.(cf. Fink, 1988:07) Para Nietzsche a filosofia socrático-platônica e o cristianismo desviaram o homem, tornando-o decadente, pois aquela filosofia eliminou o dionisíaco da vida e o cristianismo impôs uma moral que conduziu o homem a negar sua própria existência. Para realizar tal crítica utilizou-se do método genealógico. Através da genealogia apontou como a moral foi inventada, fabricada, produzida. A genealogia permitiu desocultar o confronto histórico de saberes e mostrar como a moral cristã foi vencedora. . Nietzsche, traços biográficos “…Sim já sei de onde venho…tudo o que tocam as minhas mãos se torna luz e o que lanço não é mais do que carvão. Certamente, sou uma chama!” – Nietzsche, 1888 Quem o conheceu naquela época, entre 1880-90, não deixou de se comover ao vê-lo. Friedrich Nietzsche, devastado por uma miopia de 15 graus, andava como que às cegas, tateando com as mãos ou com a bengala o perigoso espaço embaçado que imaginava na sua frente. Desde que o aposentaram precocemente aos 34 anos da Universidade de Basiléia na Suíça, deu-se a ter uma vida de pobre cigano, arrastando-se de pensão em pensão, de quarto em quarto, por cidades italianas (Gênova, Veneza, Sorrento, Turim), francesas, (Nice) ou recantos suíços (como Sils-Maria). Se bem que nascido em Röcken, em 15 de outubro de 1844, no coração da Saxônia, pode-se dizer que Nietzsche passou seu tempo de adulto mais fora do que dentro da Alemanha. O pai, um pastor, parece que talentoso, um monarquista convicto e preceptor de princesas, batizou-o com o nome dos reis prussianos – Frederico. Deu-lhe o nome e infelizmente também lhe legou uma estranhíssima doença. Era isso que o fazia agora, homem feito, ver-se jogado na cama por dias a fio torturado por pavorosas enxaquecas, seguidas de eternas indisposições estomacais e tonturas de toda ordem. Uma só escassa paixão,,,

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